31/03/11

Engolidos pelo sistema...

Estamos em 2011 e cada vez mais a vida custa, são crises, recessões, juros cada vez mais altos, propinas num sistema de ensino que deveria ser grátis, cada vez menos bolsas, emprego escasso e precário, as tretas do costume.
Casimiro e Jaime dois amigos de infância vão ingressar no ensino superior. Inteligentes e trabalhadores, tinham o sonho de serem os primeiros do bairro a tirarem um curso, mas a vida não anda fácil, recebem uma mísera bolsa que mal dá para pagar o quarto, alugado a um senhorio quem cobra caro mas não passa recibo, quanto mais para propinas, fotocopias, livros ou vida nocturna.
Jaime, o mais atento e revoltado com todas estas situações, tem uma ideia para conseguir sobreviver e tirar um curso de forma “justa”, justa neste sistema de merda, nesta democracia da selva, onde quem se safa são os trafulhas, corruptos e gananciosos, não se regendo pelas mesmas regras que o cidadão comum. Decidiu então começar a vender Erva, que conseguia arranjar no seu bairro. Casimiro concordou com a ideia e tornaram-se sócios a partilhar um fruto da natureza que o homem tornou ilegal...
A pequena cidade do interior acolheu-os bens, comiam bem, trabalhavam bem, estudiosos e aplicados, mas também com as suas noites de loucuras como todos os estudantes universitários têm. Chegaram ao ultimo ano depois de um brilhante percurso académico, boas notas, bons trabalhos e boas perspectivas de futuro, até que nas ultimas semanas de finalistas, são apanhados com meio quilo de erva, acusados de tráfico de droga.
Não acabam a licenciatura e passam dois anos na prisão, tornam-se ex-reclusos, arranjar trabalho a partir de agora torna-se mais complicado, sem qualificações, cadastrados e revoltados viram-se para o tráfico e desta vez não são quantidades pequenas nem drogas leves...
A história de dois jovens promissores que por culpa de um sistema que faz da educação um bem de luxo, um sistema que tolera fugas de impostos e exploração dos estudantes, mas severamente intolerante perante drogas mais leves que muitas legais... E os nossos dois amigos foram mais um numero no estigma social português.

29/03/11

Uma Manhã..

O Sol dava inicio à sua subida aos céus, aparecendo lentamente no horizonte. O calor cheiroso de uma manhã de primavera entrava pela janela, ondulando as cortinas com a sua passagem, mas nada me fazia deixar de enterrar o nariz naquele cabelo negro, encaracolado que guardava o melhor aroma do mundo. Um raio de sol penetra pela janela e reflecte na tua bochecha rosada, vejo um olho a começar a abrir dando inicio a um deslumbrante despertar, onde surgem pequenos e engraçados grunhidos matinais que nos meus ouvidos soa à mais bela das sinfonias.

Paro e Penso

- Obrigado Mundo por estes pormenores fantásticos das tuas criaturas -