Estamos em 2011 e cada vez mais a vida custa, são crises, recessões, juros cada vez mais altos, propinas num sistema de ensino que deveria ser grátis, cada vez menos bolsas, emprego escasso e precário, as tretas do costume.
Casimiro e Jaime dois amigos de infância vão ingressar no ensino superior. Inteligentes e trabalhadores, tinham o sonho de serem os primeiros do bairro a tirarem um curso, mas a vida não anda fácil, recebem uma mísera bolsa que mal dá para pagar o quarto, alugado a um senhorio quem cobra caro mas não passa recibo, quanto mais para propinas, fotocopias, livros ou vida nocturna.
Jaime, o mais atento e revoltado com todas estas situações, tem uma ideia para conseguir sobreviver e tirar um curso de forma “justa”, justa neste sistema de merda, nesta democracia da selva, onde quem se safa são os trafulhas, corruptos e gananciosos, não se regendo pelas mesmas regras que o cidadão comum. Decidiu então começar a vender Erva, que conseguia arranjar no seu bairro. Casimiro concordou com a ideia e tornaram-se sócios a partilhar um fruto da natureza que o homem tornou ilegal...
A pequena cidade do interior acolheu-os bens, comiam bem, trabalhavam bem, estudiosos e aplicados, mas também com as suas noites de loucuras como todos os estudantes universitários têm. Chegaram ao ultimo ano depois de um brilhante percurso académico, boas notas, bons trabalhos e boas perspectivas de futuro, até que nas ultimas semanas de finalistas, são apanhados com meio quilo de erva, acusados de tráfico de droga.
Não acabam a licenciatura e passam dois anos na prisão, tornam-se ex-reclusos, arranjar trabalho a partir de agora torna-se mais complicado, sem qualificações, cadastrados e revoltados viram-se para o tráfico e desta vez não são quantidades pequenas nem drogas leves...
A história de dois jovens promissores que por culpa de um sistema que faz da educação um bem de luxo, um sistema que tolera fugas de impostos e exploração dos estudantes, mas severamente intolerante perante drogas mais leves que muitas legais... E os nossos dois amigos foram mais um numero no estigma social português.
E porque não foram trabalhar em vez de irem vender erva?
ResponderEliminarZG
e porque pagam propinas? e porque é que a erva é ilegal? e porque temos nós crises? e porque e porque e porque.... acho que não é isso que está aqui em causa...
ResponderEliminarNão é o que está em causa Joãzinho, mas lembra-te de uma coisa: há muita gente sem condições que se declara trabalhador estudante para se poder sustentar, sem ter de efectuar o chamado "dinheiro fácil". As propinas pagam-se porque o ensino não tem forma de auto-sustentação. A erva é ilegal porque assim foi decretado (o álcool é uma droga que causa maior dependência mas é socialmente aceite). Temos crises por causa de aparências e de más decisões (globais, é certo) e porque este país à beira-mar plantado não tem uma gota de petróleo.
ResponderEliminarPor último, concordo com quase tudo o que tu dizes, menos na parte que eles já saberiam que mais cedo ou mais tarde iriam ser "canados"...
O dinheiro fácil foi mais forte... É só isso que critico.
ZG
*menos na parte em que defendes, pois eles
ResponderEliminarforam apanhados a traficar droga e foram presos.... acho tudo correcto nesta historia.... se todos os que não tivessem posses dessem em traficantes e dessem o governo como desculpa estávamos mal!
ResponderEliminarUma coisa eu sei, se dependesse de mim próprio para tirar um curso superior, não conseguia, não tinha possibilidades de o sustentar.
ResponderEliminarEstudar na universidade deveria ser um actividade exclusiva, e muitos conseguem ser trabalhadores/estudantes porque alguns cursos são uma palhaçada onde reina o clima de facilitismo, dando origem a gente mal formada e naturalmente desempregada porque, para além de não terem oportunidades, também não têm competência.
Mas creio que vem tudo de lá de baixo, o facilitismo ensina-se desde a pré-escola, a excelência está em vias de extinção.
há que referir que ser trabalhador estudante também não é fácil para quem recebe bolsa, pois se trabalha perde o direito à mesma...
ResponderEliminarDepois chamam-nos de parasitas subsidiados, os pedintes do subsidio que recebem bolsa pequena se trabalham perdem-na... não é falta de vontade é impedimento. Moral da história, tudo mais caro, não posso trabalhar, a bolsa não chega pra tudo... Vou vender erva.
ou deixo de estudar...
ResponderEliminarPara ZG- "A erva é ilegal porque assim foi decretado (o álcool é uma droga que causa maior dependência mas é socialmente aceite)." Isto é assim mas não devia ser o canabis e o canhamo têm propriedades que poderiam revolucionar a produção agrícola, a eficiência farmacêutica, novas oportunidades á industria do papel e do têxtil, a planta tem fibras mais flexíveis e resistentes do que o algodão ou outros tecidos utilizados... podia gerar milhares de postos de trabalho directos e indirectos, a legalização da produção exploração e consumo de canhamo e canabis podia revolucionar a nossa sociedade.
ResponderEliminarMas nada disto interessa à lucrativa industria farmacêutica que não teria controle sobre um produto que as pessoas poderiam plantar em casa... longe dos interesses de da industria que não procura materiais resistentes mas sim materiais o mais descartáveis possíveis. Longe dos interesses dos traficantes que tanto lucram... longe dos interesses de umas quantas tias armadas em beatas conservadoras que declaram a medida como um descontrole face ao consumo(devem preferir ver dealers a vender droga de merda a putos de 13/14 anos à porta das escolas como acontece hoje em dia).
Se legalizasse-mos as drogas leves muitos impostos seriam pagos e apenas poderia consumir quem quiser (ninguém é obrigado) e maior de idade...
São muitas as vantagens e a erva só não é legal graças ao conformismo e proibicionismo de todos os portugueses suaves que lentamente ardem ás mãos do consumismo e capitalismo...
N.L.
Concordo contigo N.L., mas o cânhamo é legal, desde que não adquira o componente THC. Já tive colegas que foi assim que se safaram... As árvores que tinham eram só cânhamo...
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