12/10/11

Tortura Paga e Assistida


Um pequeno relato sobre um dos meus grandes tormentos, “sexta-feira dia de dentista”.
Dou inicio a este suplicio, subindo as escadas lentamente, não vá lá chegar e ser de imediato atendido, começa a entranhar-se pelas narinas aquele cheiro muito característico de um consultório, anestesia e desinfectante. No topo das escadas encaro a porta que tem escrito “Clínica Dentária”, com confiança, empurro a porta e entro num espaço bonito mas impregnado de tantas dores e horrores. Digo boa tarde à senhora do balcão, ela lança-me um olhar e um sorriso amável, mas no fundo consigo descortinar um sentimento sádico e malévolo.
Sento-me na sala de espera, tento folhear umas revistas, mas a única coisa que consigo focar é no irritante “Tic-Tac” do relógio, o medo vai aumentando à medida que vejo pessoas a saírem, carregadas de sofrimento na face e ao fundo do corredor ouço tão distinto e horrendo som “a broca”, em breves instantes dei comigo a pensar “Vou Fugir!” e é exactamente no final deste pensamento que aparece a Dentista, nesse momento pareceu-me um demónio retirado do último Inferno de Dante, Belzebu em pessoa e diz-me – como está João? Já não vem cá há 2 anos – com esta frase senti que a vingança por esses 2 anos seria brutal.
Já na cadeira fantástica que sobe desce e vai para trás, talvez a coisa mais gira que se pode encontrar numa clínica dentária, sou ofuscado pelo holofote pendurado sobre a mesma e surge a questão – de que se queixa? – Pergunta a Medica toda lampeira já a avistar uma cara de sofrimento nos próximos 45 minutos, segundos depois da minha resposta dou por mim com dois aspiradores na boca e uma agulha em direcção à gengiva, já ciente que não iria ser a única, continuo com os irritantes aspiradores de saliva enfiados na boca mas agora sim vem o verdadeiro castigo, a dor, o som e a visão horripilante de uma broca a esmiuçar-me um dente, num grito mudo, berro a minha dor, mais uma vez a agulha, mas desta vez foi directa para o céu da boca, passado mais este penar, de volta à broca e ao esmiuçar o dente passado um minuto a broca para e é arrumada, pensei o pior já passou, engano-me completamente, a Medica saca de uns ferrinhos tipo agulhas com uma borracha preta no fundo, intrigado balbuciei – o que é isso – ao que aquele demónio me respondeu – é para tirar o pus, tens aqui um quisto, levas-te alguma pancada? – Sem me deixar responder espeta-me aquilo quase ate ao cérebro, pelo menos assim me pareceu com as dores que aquilo me deu e não foi uma nem duas vezes foram três estava-me quase a sair uma lágrima no olho mas nesse exacto momento ela disse esta frase magica – pronto, podes bochechar – e para mal dos meus pecados completou a frase assim – até para a semana…
Por fim o ultimo pesadelo, dito já pela senhora do balcão – são 50 euros…
 

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