18/10/11

Um sonho no InterCidades


São 10:32, o sol já me aquece a careca e está um dia bonito de se ver, de orelhas levantadas, tento entender os ruídos de aviso, sobre as chegadas dos comboios. Dá então entrada na estação o Inter-Cidades com destino ao Porto, apresso-me a dar os últimos bafos no cigarro, que tinha acabado de enrolar, pego na mochila e sigo até ao lugar que me foi atribuído, ora que espectáculo, hoje tenho direito a assento à janela. Já sentado, instalado e pronto a partir, encosto-me para trás e dou início ao deslumbrar da paisagem, que uma viagem de comboio pelo nosso Portugal nos oferece. Adoro observar o passar rápido das diversas vilas vistosas e movimentadas que rodeiam a linha férrea, sinal que a desertificação é apenas uma miragem e que o nosso pais está em franco desenvolvimento, devido ao êxodo urbano, que tem existido nos últimos anos, finalmente Portugal corre com as duas pernas. Normalmente quando acabam as pequenas vilas, rapidamente surgem grandes áreas de cultivo até perder de vista, vinhas, oliveiras, cereais, árvores de fruto entre tantos outros produtos agrícolas, que nós portugueses, sabemos tão bem cultivar e sempre com altos índices de qualidade, já a meio da viagem dou por mim completamente apaixonado pelas inúmeras fábricas que se erguem na paisagem, apresentando um óptimo estado e a funcionar, grandes edifícios em tijoleira antiga, cheios de gente a trabalhar alegremente a produzir belos artigos em cerâmica, a construir estruturas de metais que irão ser utilizadas em estufas nos campos verdejantes do nosso País, grandes armazéns cheios e prontos a carregar o próximo comboio de mercadorias que passar. Dei comigo a pensar, que grande Portugal está lá fora somos realmente um povo inteligente e com sorte. Até que! sinto um toque brusco no ombro, abro os olhos, acordo e ouço – Bom dia, o seu bilhete? – diz amavelmente o revisor, um senhor de bigode farfalhudo e de jeito pândego, entrego-lhe então o bilhete para ser picado. Encosto-me outra vez para deslumbrar a paisagem, agora mais desperto, começo a aperceber que tudo está diferente, instala-se nesse momento um ambiente cinzento, o céu fica enublado, reparo que afinal as bonitas vilas estão desertas, que os campos estão abandonados e as imperiais fábricas e armazéns estão em ruínas e que nada mais se cria e se guarda lá...
Foda-se!! era só um bonito sonho, afinal de contas o grande Portugal continua manco e assim quer continuar...

1 comentário:

  1. e este será um país do tamanho de uma aldeia...é triste vê-lo ficar sozinho...e mais triste ainda é ficar a vê-lo! temos que juntar ideais e passar a acção...em vez de nos juntarmos a protestar...vamo-nos juntar a agir!

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